Este blog é um dos frutos da parceria de Alberto de Oliveira com Alberto Camarero – nas rodas, OS ALBERTOS.
Tudo começou num encontro marcado numa esquina da memória nacional em 2012.
Oliveira, muito jovem, desde sempre um pesquisador da época de ouro da nossa música popular e dono de um enorme acervo de raridades fonográficas, hoje formado em História, é também poeta e escritor.
Camarero, nem tão jovem, pois completou em 2018 cinquenta anos de atividades artísticas, é profissionalmente cenógrafo e figurinista nas artes cênicas, além de artista plástico. Um eterno submisso à sua memória aquariana, a matéria-prima do seu campo de criação.
Juntos, OS ALBERTOS pesquisaram a fundo o universo do faquirismo nacional e daí surgiu “Cravo na Carne – Fama e Fome”, o primeiro livro editado sobre o assunto.
“O Fabuloso Silki”, em parceria com Rose Lopes, no prelo, aguarda publicação para 2019, por ocasião do centenário de nascimento de Silki, o maior faquir de todos os tempos.
Atuando como pesquisadores e produtores culturais, apresentam um rol de atividades em espetáculos trazendo à cena artistas de várias gerações, muitos deles esquecidos do público.
Neste blog, apresentam seus encontros com esses artistas notáveis. Os que fizeram e fazem da arte sua expressão mais visceral – resistentes e insistentes. Desacatando a opinião pública e moral vigente, o “bom gosto” e, quase sempre, a caretice da própria classe artística. Com raríssimas exceções, artistas da linha de fundo, bem longe dos refletores oficiais da história da arte.
Levam um carinho especial dos autores deste blog as mulheres, essas deliciosas “tipas” – expressão viva de Lilith, a outra Eva: a marginal, a insolente, proscrita dos antigos testamentos. São elas as faquiresas, as vedetes, as burlescas, as lutadoras, as dançarinas bizarras, as cantoras da noite, as performers dos palcos mambembes e tantas outras que passam ou passaram burlando a vida em cena… As com muitas horas de camarins infectos desenhando sobrancelhas e pintando suas bocas para sorrir melhor e aprimorar o grito.
Protagonistas dos espetáculos carregados de emoções baratas, deleitando grandes massas populares e fazendo – alguns – da fome e do corpo a busca pela fama, seguiram e seguem tendo a fé e a resistência como princípio.
Nesses tempos informatizados e midiáticos, OS ALBERTOS trazem à luz da cena e do Google a presença deles com toda a reverência e o respeito que merecem.
Para entrar em contato com OS ALBERTOS, escreva para tropicerbero@gmail.com

sexta-feira, 5 de abril de 2019

A II NOITE DAS FAQUIRESAS fotografada por Victor Faro ( @photofaro )


A Mulher-Aranha Maura Ferreira e a Faquiresa Miler

No dia 30 de março de 2019, os Albertos promoveram em São Paulo a II NOITE DAS FAQUIRESAS - FAQUIRISMO E PERFORMANCE no Bar e Espaço Cultural Presidenta (Rua Augusta, 335).
A II NOITE DAS FAQUIRESAS teve performances de Angela Quinto, Beatriz Cruz e Paula Klein organizadas por Rafael Bicudo e Verônica Veloso (Coletivo Teatro Dodecafônico) e também de Maura Ferreira, Delirious Fenix, Regina Müller, Jadde Johara, Faquir Zarak e Indiany (a Índia Flecha Ligeira). Na sequência, realizou-se um debate mediado pelos Albertos com Helena Ignez, Regina Müller, Verônica Veloso e Thaís de Almeida Prado sobre a relação entre a arte do faquirismo e a performance contemporânea. O som do evento ficou sob o comando de Olívia Niculitcheff. Nas paredes do Presidenta, estavam expostas quatro pinturas em lona de Alberto Camarero.
Essa foi a terceira vez que Marcia Chiochetti e Camila Possolo receberam um evento dos Albertos no Presidenta (os outros eventos foram A NOITE DAS FAQUIRESAS, em fevereiro de 2018, e a estreia d'ATRUPE - ARTE DESACATO, em agosto de 2018).
Dessa vez, o fotógrafo Victor Faro (no Instagram @photofaro ) registrou todo o evento. São essas fotografias que trazemos nesta postagem.
Quem quiser contratar Victor Faro pode contatá-lo através do telefone/WhatsApp (27) 98835-5927. Atualmente ele vive em São Paulo.


A Mulher-Aranha Maura Ferreira cercada por seu domador Delirious Fenix e pelos Albertos

Na primeira parte do evento, várias performances aconteciam simultaneamente no Presidenta.


Paula Klein lia a sorte do público nas cartas


Beatriz Cruz mantinha-se exposta na vitrine do bar, quase imóvel, comunicando-se com os presentes através do olhar


Angela Quinto andava pelo ambiente segurando um pedaço de vidro


Áudios criados pelo Coletivo Teatro Dodecafônico a partir do universo das faquiresas podiam ser ouvidos pelo público através de fones


Indiany fazia as vezes de hostess e recebia quem chegava, devidamente caracterizada como lutadora circense, de pena na cabeça, maiô de estampa selvagem e capa


Regina Müller encarnava a Faquiresa Miler, interagindo silenciosamente com sua cobra-fantasia


O Faquir Zarak posava - devidamente caracterizado como faquir oriental - ao lado de uma pintura em lona de Alberto Camarero inspirada nele


No fundo do bar, encontrava-se armado o Gabinete da Mulher-Aranha - outra obra de Camarero


A atriz Maura Ferreira era a Mulher-Aranha e Delirious Fenix seu domador

Na segunda parte do evento, as performances aconteceram no palco do Presidenta.


Paula Klein interpretou uma versão peculiar do conto "Um artista da fome", de Franz Kafka, e cantou



A dançarina do ventre e burlesca Jadde Johara apresentou-se ao som da canção "Jungle drums" bailando com a jiboia Osíris e conversou com o público sobre as cobras que cria

Depois da apresentação de Jadde Johara, Beatriz Cruz e Angela Quinto realizaram performances exclusivas para o público presente no Presidenta na II NOITE DAS FAQUIRESAS.


O Faquir Zarak exibiu-se com sua cama de pregos ao som da canção "En un mercado persa"


Indiany fez uma breve participação no número de Zarak e, a pedido do público, apresentou-se de improviso dançando

O debate mediado pelos Albertos foi a terceira e última parte do evento.


Faquirismo e performance em debate


Alberto de Oliveira apresentou o tema e os participantes do debate


Alberto Camarero contou ao público como iniciaram-se as pesquisas dos Albertos a respeito da arte do faquirismo no Brasil a partir de uma experiência que ele teve assistindo uma faquiresa jejuando aos oito anos de idade, em 1958


Thaís de Almeida Prado comparou uma performance realizada por ela em 2007 - "A adormecida que mordeu a maçã verde e não colocou o dedo na roca" - que guarda algumas semelhanças com a experiência de uma faquiresa exposta ao público


Verônica Veloso explicou as performances realizadas pelos integrantes do Coletivo Teatro Dodecafônico na II NOITE DAS FAQUIRESAS


Helena Ignez falou sobre seu interesse pela arte do faquirismo no Brasil, que resultou no documentário "Fakir", a ser lançado em meados de 2019 nos festivais de cinema


Regina Müller discorreu sobre sua persona Faquiresa Miler e as relações entre as exibições de faquirismo e a performance contemporânea




No final do evento, os Albertos autografaram o livro "Cravo na Carne - Fama e Fome: O Faquirismo Feminino no Brasil", publicado em 2015 pela editora Veneta

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